Publicado por: Battista Soarez | setembro 11, 2016

O QUE FAZ O ASSISTENTE SOCIAL

O QUE FAZ O ASSISTENTE SOCIAL

As técnicas de atuação e abordagem do Serviço Social

Battista Soarez

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O Serviço Social organizou sua metodologia atuando por meio de três técnicas:

  1. O Serviço Social de Caso:

No Serviço Social de Caso, utiliza-se a abordagem individual, tendo como unidade a família, com o objetivo de atuar nos fatores causais ou problemas em potencial interligados à situação saúde e ao contexto sócio-econômico-cultural e emocional. Aqui se utiliza a abordagem individual como instrumento de identificação de situações sociais, problemas comuns à população, para planejamento posterior de atividades grupais e programas específicos a serem implantados.

  1. O Serviço Social de Grupo:

No Serviço Social de Grupo, utiliza-se da abordagem grupal. Ocorre nas situações sociais e nos problemas identificados em um número significativo de clientes. O assistente social participa e organiza grupos para participação no processo social de mudança da realidade social.

  1. O Serviço Social de Comunidade:

Por sua vez, o Serviço Social de Comunidade mantém o entrosamento das instituições da área, visando o conhecimento das necessidades comunitárias em que se estabelecem atividades conjuntas para o aproveitamento total e dinâmico dos recursos existentes.

Marilda Villela Iamamoto (2004) diz que, para compreender a metodologia do Serviço Social, não se deve percebê-la de modo separado da sociedade, pois ela diz respeito ao modo de ler, de interpretar e de se relacionar com a realidade Social. Isso explica a atenção que o Serviço Social deu ao “fazer” e à formação profissional para atuar nas instituições remodeladas do regime militar.

O Serviço Social e a realidade social

A preocupação em entender a realidade social está presente na Educação e nas diversas maneiras de adquirir conhecimento. Então, a formação profissional do Serviço Social tem como referência básica o homem como ser histórico de uma realidade. Daí a necessidade de conhecer o contexto social, a dinâmica das instituições vinculadas à sociedade civil ou à sociedade política e suas articulações, bem como os conhecimentos e as relações das distintas camadas da sociedade.

Presupõe-se que a formação acadêmica adquirida no curso de Serviço Social é um conhecimento básico que dá ênfase à ciência do homem e da sociedade e também um conhecimento profissional dos fundamentos teóricos do Serviço Social e suas relações com esses sistemas. A Assistência Social é uma profissão de caráter interventivo, que se utiliza do instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção em situações da realidade social em que estão presentes os reflexos das questões sociais.

Percebe-se a influência europeia e norte-americana no Serviço Social brasileiro. Citam-se aqui dois pontos:

1) Um deles se refere ao curso de formação social (1932) ministrado por Mlle. Adèle Loneaux, ao trabalho do padre belga Valère Fallon, fundador do GAS e da religiosa francesa Mlle. Germaine Marsaud (que dirigiu a primeira escola de Serviço Social do Rio de Janeiro).

2) O outro diz respeito à própria postura dos assistentes sociais pioneiros. Para Iamamoto e Carvalho (2006, p. 215), o autoritarismo, o paternalismo, o doutrinarismo e a ausência de uma base técnica assumidos pelo Serviço Social pioneiro, eram de influência europeia.

A origem social das pioneiras também induziu à posição autoritária e paternalista do Serviço Social Brasileiro de 1930 a 1945 ou 1930-1941 o intercâmbio do Serviço Social norte-americano com o Serviço Social brasileiro teve início a partir do Congresso de Atlantic City (1941) com as bolsas de estudo para aperfeiçoamento e especialização em escolas norte-americanas.

Observa-se  que, ao tomarmos conhecimento dos dados históricos sobre a origem do Serviço Social, passa-se a conhecer melhor o processo histórico e metodológico no Brasil, como também  os dados da institucionalização da profissão de Assistente Social e das diversas demandas, bem como das respostas dadas pela profissão em suas características teóricas e metodológicas. Sendo assim, este conhecimento nos possibilitou a desenvolver um posicionamento crítico-reflexivo sobre o papel do Assistente Social. E para concluir, transcrevo um texto de Sandra Regina de Abreu Pires, Assistente Social, Mestre e Doutora em Serviço Social pela PUC/SP, docente do Departamento de Serviço Social da UEL:

“Por outro lado, a relação entre o profissional e aqueles com os quais atua, é uma relação de troca. Uma real consciência dessa relação de saberes é fundamental para o assistente social. Não se trata de buscar a assimilação, pela população, de um arsenal técnico incoerente com o seu cotidiano ou, no outro extremo, de tentar colocar-se ingenuamente como um igual no sentido estrito do termo. Trata-se de, reconhecendo-se como diferente (pela própria formação profissional recebida) — mas em identidade político-ideológica com o projeto e com as lutas propostas — contribuir para o processo organizativo que tem, no instrumental técnico profissional e nas estratégias engendradas pela população, um fator inegavelmente fundamental” (2008).

O que faz um Assistente Social?

Veja o que faz um assistente social:

  1. Faz planos, programas e projetos no contexto das políticas públicas e sociais, para transformação da realidade social e política do País, do Estado e do Município. Faz o planejamento e a execução de políticas públicas e de programas sociais voltados para o bem-estar coletivo e a integração do indivíduo na sociedade.
  2. Faz pesquisa social, relatório social, diagnóstico social e parecer social acerca de situações e casos que ocorrem na realidade social no âmbito da Saúde, da Educação, da Assistência, da Justiça e da Previdência Social. Trabalha com questões como exclusão social, acompanhando as situações sociais e políticas, analisando e propondo ações interventivas para melhorar as condições de vida de crianças, adolescentes, jovens e adultos.
  3. cria campanhas de alimentação, saúde, educação, recreação e implanta projetos assistenciais.
  4. Em penitenciárias e abrigos de menores, propõe ações e desenvolve a capacitação para a reintegração social dos marginalizados.

É obrigatória a inscrição no Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) para o exercício da profissão.

Onde atua o Assistente Social?

Na Educação

Cria e implementa programas de bolsa de estudo e auxílio financeiro, assim como seleciona os estudantes beneficiários.

Em Empresas

Gerencia programas educativos de saúde, lazer e segurança no trabalho para o corpo de funcionários. Implanta programas de benefícios sociais aos trabalhadores e sua família. Orienta o acesso do trabalhador às políticas sociais, públicas e aos seus direitos sociais e trabalhistas.

Na Proteção à criança e ao adolescente

Desenvolve projetos que subsidiem a garantia de direitos de crianças, jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Na Saúde

Facilita o acesso da população às informações e ações educativas na área da saúde.

Seja no campo empresarial ou em outras formas de exercício profissional, o assistente social, formado pelo curso de Serviço Social, tem como objetivo amparar pessoas que de alguma forma não têm total acesso à cidadania, ajudando-as a resolver problemas ligados a educação, habitação, emprego, saúde. É uma profissão de cunho assistencial, ou seja, voltada para a promoção do bem-estar físico, psicológico e social.

Este profissional pode trabalhar em empresas privadas, órgãos públicos e ONGs orientando e acompanhando pessoas e desenvolvendo programas de assistência dirigidos a diversos públicos como crianças em situação de risco, populações com poucos recursos financeiros ou afetadas por catástrofes naturais, idosos, etc.

O trabalho em Organizações Não Governamentais (ONGs) se inscreve no que é denominado de Terceiro Setor da economia, ou seja, entidades civis sem fins lucrativos que trabalham com atividades relacionadas com os temas sociais de que se ocupam as políticas públicas (saúde, educação, segurança pública, habitação, etc). O primeiro Setor se refere à administração pública direta e o Segundo à iniciativa privada.

As ONGs configuraram-se como um dos mercados de trabalho para o assistente social, dada a natureza de suas funções. A criação de uma ONG deve respeitar princípios legais mínimos, como o registro de um estatuto e inscrição em cartório. Não há exigência ou impedimento quanto à profissão de seus fundadores. Portanto você poderia fundar uma organização mesmo sem realizar a formação em serviço social. No setor público o acesso se dá via concurso público.

O forte continua sendo o setor público, em que as vagas costumam ser preenchidas por concurso. As oportunidades estão nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e no INSS, mas também em escolas, creches, hospitais, unidades básicas de saúde e ambulatórios especializados. Programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), ampliam a procura para além das grandes cidades. ONGs e fundações também contratam o assistente social para atuar nos movimentos sociais ligados aos direitos das crianças e adolescentes, de idosos, da mulher, de negros, de indígenas e da comunidade LGBT. A procura é maior no Sudeste, mas há demanda em todo o país.

A carreira do assistente social dirige-se para o amparo e orientação de parcelas da população que se encontram em situação de fragilização social, ou seja, que precisam de indicações de como superar dificuldades relativas a condições de saúde, alimentação, de moradia, de educação, de segurança, entre outras necessidades. É nessa direção que o assistente social atua, esclarecendo e indicando caminhos para a superação de tais obstáculos.

O mercado de trabalho de um assistente social tem crescido. Nas capitas há cada vez mais vagas. A terceirização de parte dos serviços sociais e de saúde do governo para ONGs faz crescer a procura por assistentes sociais para gerir e implementar políticas nessas áreas.

O principal objetivo do curso de Serviço Social é formar um profissional capaz de criar e fazer programas cuja finalidade seja a transformação social. Para isso, a grade curricular inclui muita sociologia, teoria política, filosofia e economia, além de conteúdos vinculados à formação da sociedade brasileira, como políticas e movimentos sociais, trabalho e sociabilidade, relações de gênero, étnicas e raciais.

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