Publicado por: Battista Soarez | novembro 25, 2015

CRIMINALIDADE (I)

A BRASILEIRIDADE DO CRIME (I)

BATTISTA SOAREZ

battistasoarez@gmail.com

A cultura da criminalidade brasileira, que vem permeando nos quatro quantos do país, merece uma análise cuidadosa tanto no seu aspecto histórico quanto no seu contexto sociocultural. Desde os antigos tempos — lembrando os séculos a partir da descoberta do Brasil — nossa cultura vem sendo manchada com a violência e o crime. O Brasil já nasceu assim, violento, criminoso, e não será nada fácil mudar, da noite para o dia, os destinos desse aspecto da cultural do nosso país que um dia foi colônia portuguesa.

Historicamente, basta transportar o pensamento lá para os tempos de quando existiu Gerônimo de Albuquerque (1548-1618), uma importante figura que viveu no Maranhão no século XVII.  Em 1614, Gerônimo foi nomeado capitão da conquista e fundação do Maranhão. Naqueles tempos, na sua administração, Portugal mandava para cá prostitutas, bandidos de alta periculosidade, criminosos políticos, traidores da corte, presos de várias naturezas e, enfim, toda espécie de marginais e delinquentes sociais.

A nossa sociedade, portanto, cresceu e ganhou estrutura criminológica a ponto de utilizarmos a mão de obra escrava de seres humanos indefesos e ainda sermos capazes de matá-los. A história escravocrata relata esse fato com precisão e as personalidades dos nossos estudos contemporâneos confirmam que a criminalidade brasileira é um fator genético.

No Maranhão, nem mesmo a história é capaz de nos mostrar a realidade dos crimes que ela tem presenciado ao longo dos séculos. Ou seja, a própria história se mostra omissa diante da historicidade da natureza da cultura do crime que o Brasil absorveu como sua filha primogênita. O que diria Cesare Lombroso (1836-1909), com seu infalível estudo “a antropologia do crime”? Para ele, o delinquente tem um aspecto cultural importante a ser considerado, aspecto este que passa pela analogia histórica e/ou pela história de vida do sujeito. Enfim, o crime é um tema bem mais profundo do que se pode imaginar.

Numa tônica psicossocial, pode-se tomar por objeto de estudo qualquer dos envolvidos na indústria do crime no Maranhão — quer os matadores de aluguel, quer os criminosos de colarinho branco, quer outros tipos de criminosos, da mesma importância. — e, então, verificar-se-á que o fato de serem psicóticos é um fator que, com certeza, está na sua genética.

Por conseguinte, volto a lembrar que nós brasileiros somos produto do lixo humano jogado lá de Portugal para cá. Nossos ancestrais eram indivíduos que foram atirados para as margens da sociedade. E, naqueles tempos, as margens da sociedade eram o Brasil. Nossa identidade cultural, portanto, é historicamente manchada por homicidas, ladrões, enganadores, prostitutas, mercadores desonestos e traficantes. Com uma história assim, o que poderíamos esperar desta sociedade? Que tipo de seres humanos deveríamos esperar que ela parisse? Porventura o crime não está na nossa genética cultural?

Finalmente, o que estou querendo dizer com isto? Em primeiro lugar, que não é com simples movimentos de CPIs que se vai resolver o crônico problema da criminalidade no Brasil. A gravidade desse problema é uma questão que requer total participação e mobilização de todos os setores da sociedade, não ficando de fora nem mesmo as organizações do crime. Isso mesmo: para se combater o crime no Brasil, os próprios criminosos têm que colaborar. E, aí, tem-se que encontrar uma forma de se fazer com que os criminosos também entrem na luta contra o crime. Até porque a problemática da criminalidade no Brasil não é apenas uma questão factual simplesmente. Trata-se de uma problemática cultural e sistêmica. O sistema social e político do nosso país é que gera criminalidade e violência.

(Continua na próxima edição…).

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