Publicado por: Battista Soarez | novembro 25, 2015

CRIMINALIDADE (II)

A BRASILEIRIDADE DO CRIME (II)

BATTISTA SOAREZ

battistasoarez@gmail.com

Crime, no Brasil, é cultura. Aliás, os criminosos têm seu pensamento e motivações voltados para a prática desenfreada de atrocidades cotidianamente. Nesse caso, precisamos ser honestamente lógicos: as instituições do crime estão distribuídas não só nas camadas comuns da sociedade, mas, também, nos diversos setores das administrações públicas e privadas.

As políticas administrativas do governo brasileiro, por exemplo, são uma clara demonstração dessa tendência. E isso, é observado nos setores econômico, jurídico, legislativo, executivo e assim por diante. Um exemplo bastante evidente desta realidade diz respeito às políticas econômicas repressoras do governo brasileiro. Além de sofrer com o desemprego e com a falta de incentivo à geração de renda, o brasileiro é estupidamente reprimido com os impostos bancários, telefônicos, taxas de água, luz e os preços absurdos de gás, combustíveis e outras necessidades básicas do trabalhador brasileiro.

Ou seja, o governo também tem uma forma própria de praticar violência e crime contra a sociedade: uma péssima administração pública é uma espécie de crime contra a coletividade. A diferença entre o crime praticado pelo governo e o crime praticado por bandidos, é que a ação do governo é amparada por lei. Por esta e outras razões, é que afirmamos que o combate ao crime é uma questão de repensar completamente todas as estruturas sociais, econômicas e governamentais do país, o que, com certeza, não começará pelos governantes. Trata-se de uma questão de mobilização social, envolvendo todos os atores sociais.

Com relação a isso, vale mencionar o pensamento de Max Weber, no que, para ele, se compreende a violência não como anacrônico, uma sobrevivência dos períodos bárbaros ou pré-civilizados, mas sim como a manifestação maior do antagonismo existente entre “vontade” e “necessidade”. “Vontade” tem a ver com o egoísmo e as vaidades humanas. “Necessidade” tem a ver com princípio de sobrevivência.

Por outro lado, a questão aqui tratada descortina um certo pluralismo de valores que, em Weber, significa o caráter específico da violência como articulação lógica que se estabelece num confronto também de valores.

Neste caso, a violência é uma questão tipicamente social e, no contexto histórico-cultural brasileiro, assume característica antropológica, simplesmente pelo seu aspecto deontológico — os princípios e fundamentos da identidade moral e cultural têm razões básicas historificadas no processo de evolução da racionalidade humana. — Na verdade, esses fatores mistificam a ideia de que o crime é uma matéria tão importante quanto o esforço por compreendê-la, principalmente pela sua densidade.

Em linhas gerais, o que justifica o fato de termos pessoas que representam e defendem a sociedade envolvidas diretamente com o crime, como deputados, senadores, prefeitos, delegados e, o que é pior, até juízes? Pessoalmente, penso que isso leva a sociedade a viver cada vez mais insegura e até manifestar um comportamento de autodefesa usando como arma o próprio crime. Aí, o crime ganha amplitude genética no âmbito da sociedade [historicamente] e, então, a afirmação dos princípios da coexistência pacífica responde aos interesses de defesa com força vingativa e, portanto, com violência.

Assim, a manifestação da injustiça, no caso do Brasil, atinge por cobertura todas as camadas sociais. Algumas leis elaboradas condenam cidadãos de bem e protegem bandidos, passando assim o culpado a ser inocente, e o inocente a ser culpado. A polícia que é posta na rua para proteger a sociedade, é a mesma que, por vezes, torna-se parceira de bandidos, fornecendo armas e munições aos tais e ambos passam a representar uma ameaça à sociedade. À exceção daqueles que são bons policiais e primam pela segurança, zelando assim pela autoridade que o estado lhes impõe.

Não é exagero dizer que a polícia aborda qualquer cidadão na rua porque esse é o seu trabalho. Só que, na maioria das vezes, o bandido leva vantagem. Tomamos por exemplo a situação do trânsito: geralmente, quando um policial aborda um motorista na rua, trata-o com arrogância, como se este fosse bandido. E o pior é que não há uma fiscalização que puna o policial pela sua irregularidade e/ou abuso de autoridade praticado contra o cidadão de bem. E essa é uma situação que, na minha opinião, precisa ser revista.

Finalmente, o crime e/ou a violência no Brasil é um monstro quase que impossível de ser combatido, se a sociedade inteira não se mobilizar. E a mobilização não deve ser uma questão isolada, e sim um processo amplamente trabalhado e coletivizado.

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