Publicado por: Battista Soarez | maio 27, 2014

GOVERNABILIDADE

O FUTURO DESCARTADO

A (não)consciência da governabilidade brasileira

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Nos últimos anos, os grandes acontecimentos da política brasileira foram acusações envolvendo corruptos, corruptores e corrupções das mais absurdas em todas as esferas e instituições de governo. Isto é o que a mídia divulga. Entretanto, por trás das cortinas midiáticas e políticas, imoralidade nas relações de governo, adultério e prostituição no Congresso Nacional e, ainda, comportamento sexual condenável envolvendo políticos de várias estirpes — alguns deles cristãos — têm tomado conta da sociedade.

Mas esses acontecimentos não esgotam os noticiários. Outras práticas ficam camufladas como, por exemplo, as mudanças e acréscimos nas taxas previdenciárias. O Brasil é um país absolutamente instável nas suas normas e nos seus estatutos. Isto torna o governo desequilibrado e sem estabilidade em todos os setores das políticas públicas.

Por outro lado, a política global ou a situação mundial tem se mostrado mais interessante, como diria Russell Jacoby, ou menos desalentadora, marcada pelos avanços em direção a uma União Europeia e, também, por fanatismo sanguinário e Estados em desintegração.

No cenário brasileiro, a política ficou chata, repugnante, até. Não tem mais nada de benigno. Principalmente quando se fala em distribuição de renda. Podemos dizer, até, que o sistema político-econômico brasileiro é despotismo e fratricida. Exagerei nas palavras? Creio que não. Senão, vejamos: o povo suporta as investidas das ações políticas e institucionais do governo, sem ter força para se defender. Ações administradas por uma “ideologia” retrógrada.

Na era da permissividade, na qual estruturamos nossas famílias, nossas vidas e nossas carreiras profissionais, temos pouca expectativa de futuro, isto é, de um futuro que venha ser diferente do modelo presente. Perdemos a noção de utopia. Perdemos a ideia de que o futuro de nossos filhos e netos será melhor. Perdemos a noção de que o futuro possa transcender o “formato” presente.

O povo brasileiro ainda alimenta uma crença de que o futuro pode superar fundamentalmente o presente. Entretanto, a textura vindoura da vida de cada brasileiro, do seu trabalho e mesmo da sua vida afetiva incorre num processo degradante, inclusive da família e do espírito comunitário. Quase não se vê mais solidariedade, muito menos o amor fraternal. Tenho visto “horrores” no convívio familiar que, a bem da realidade, são inexplicáveis.

Para alguns, a crença de que essa tal realidade mudará está morta. Pouca gente acredita que os dias de amanhã serão melhores. As perspectivas indicam dias piores em que, cada vez mais, os políticos perdem a vergonha e, portanto, ofuscam a possibilidade de se ter uma vida melhor.

As conclusões mais acadêmicas atestam que essa democracia brasileira, presente no cotidiano da nossa história, é uma pseudodemocracia. Ela representa um absurdo fracasso do desenvolvimento social integral do país. O Brasil, portanto, visto por este ângulo, não é uma comunidade nacional. E está longe de ser uma nação, de fato. Haja vista que “nação”, no seu sentido etimológico, é um povo unido por laços afetivos — ligado por uma natureza emocional étnica, que fala a mesma língua, tem os mesmos costumes, hábitos, tradições e uma mesma consciência social nacional.

A política, portanto, é exaustiva. O povo já está enojado com as atitudes políticas que regem nosso país. O pior de tudo é que estas atitudes permeiam toda a nossa vida e ainda cobram da população um preço absurdo por isso. Ou seja, além de sofrer com a pérfida administração pública, a população ainda tem de pagar caro por isso. Isto porque as leis são arbitrárias e, portanto, não respeitam a opinião e a vontade da soberania nacional: o povo.

Pelo que se percebe, por exemplo, o PSDB perdeu a batalha das ideias com o PT. E, agora, o PT acaba de perder a batalha das ideias com os seus admiradores. E o que seria uma política estruturante, acaba de perder a batalha das ideias para a corrupção. O espaço está todo dominado por fenômenos corruptos e corruptores.

De fato, os problemas políticos fundamentais da governabilidade brasileira já não dão margem ao debate ideológico. Este triunfo da democracia brasileira — a qual eu chamo de pseudodemocracia — põem fim à política interna de consciência para os intelectuais que precisam de ideologias para se sentirem estimulados à ação política.

Calamidades como os processos judiciais, os programas político-governamentais paternalistas e a opressão político-social ao povo formam uma cadeia de acontecimentos vergonhosos. Numa audiência trabalhista, por exemplo, o advogado — defendendo seu cliente oportunista — mente para o juiz e este aceita. E ambos olham para o empresário com cara de ódio, como se estivessem com ódio simplesmente pelo fato de ele ser empresário. Numa audiência de separação conjugal, o odiado é o pai de família que passa ser humilhado por estar desempregado, vivendo de bico. Enquanto isso, os programas de governo “formam” preguiçosos e delinquentes sociais, conformados em receberem migalhas para não trabalharem e nem estudarem. Por conseguinte, o governo oprime as pessoas com seus impostos, negação aos direitos sociais e com sua pungente maneira de governar.

Finalmente, é o fim do pensar ideológico e a morte da consciência social. As novas realidades políticas e econômicas vão sempre trilhar pelo velho viés de que os fins justificam os meios e, assim, legitimar o “assassinato” da esperança no coração e na mente da soberania nacional.

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