Publicado por: Battista Soarez | abril 20, 2013

IDENTIDADE DA IGREJA PÓS-MODERNA

POR UMA IGREJA COM A CARA DE JESUS

Uma reflexão sobre o caráter de Cristo e os desvios de conduta espiritual da igreja evangélica brasileira

 por BATTISTA SOAREZ

Por acaso, peguei o livro Por uma igreja com a cara de Jesus, de Leonardo Brito (Fonte Editorial), e passei a refletir sobre suas páginas.

Desvio_Espiritual

Cada vez mais distante do Senhorio de Cristo, a igreja brasileira acaba de assumir uma identidade espiritual vazia do caráter de Jesus. Agora vive no ringue da fé meramente evangélica, distante do Evangelho.

O livro mostra, com muita perspicácia, o vácuo que há entre a instituição [religiosa] igreja e a vida abundante em Cristo Jesus, o Senhor. O autor soube dissertar muito sabiamente esta evidente diferença. Fica, assim, entendido que a igreja moderna — como em outros tempos da história do cristianismo — se posiciona na direção de quase inimiga do evangelho genuíno.

“Ressalta-se a existência de uma pavorosa divisão, jamais ensinada por Cristo, mas feita pela igreja, entre sagrado e secular, divino e profano, vida espiritual e vida material”, diz o autor. Entretanto, conclui ele, tudo é espiritual para o cristão.

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O autor Leonardo Brito traça uma crítica favorável de que a igreja evangélica deva repensar sua identidade cristã.

É incrível. O texto “lava” a alma de todos nós que temos o compromisso de dizer a verdade do evangelho pelo método da verdade divina.

Basta dizer que o brilhantismo intelectual do autor ascende sobre uma literatura enxuta e esclarecedora sobre o que, de fato, é Jesus em seu projeto magnífico de simplicidade, amor, liberdade, integridade e o absoluto fundamento das Escrituras. Enquanto que a igreja é meramente ostentação, intolerância, legalismo, imoralidade, orgulho, entretenimento e outras coisas que envergonham o caráter do verdadeiro evangelho.

Como escritor e pastor, penso honestamente que todo líder de igreja deveria ler este livro repetidamente até aprender a brilhante lição que ele nos ensina.

Vejo, finalmente, que a igreja do século XXI assume outra identidade que não é a do Filho de Deus, à medida que ela se afasta do Senhorio do Cristo e, portanto, do evangelho genuinamente cristocêntrico. O relacionamento lógico que ela assume com o Senhor é debatível e questionável. E, assim, o seu veredito final depende de uma interpretação honesta a partir do conceito social de santificação e da ideia de grupo.

Grupo, sem unidade e comunhão, não é comunidade da fé cristã.

A última oração de Jesus, antes de sua ascensão ao céu, foi: “E não rogo somente por estes [os discípulos ali presentes com Ele], mas também por aqueles [os crentes posteriores até os dias de hoje] que pela sua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.20-21).

Com esta oração, Jesus deixa evidente a sua preocupação com os crentes, isto é, com o fato de que o cristão, verdadeiramente cristão, deve assumir incondicionalmente, em unidade absoluta, a aparência de Jesus.

Nada preocupa mais o Senhor do que o fato de seus seguidores se tornarem parecidos com Ele. E aí está a grande questão. Se, de um lado, esta é a maior preocupação do Senhor, de outro, tornar-se parecido com Jesus — e, portanto, ter a característica dEle — é a maior dificuldade da igreja pós-moderna.

Paradoxalmente, as pessoas mais odiadas pela própria igreja são exatamente aquelas que, cada vez mais, se tornam parecidas com o Cristo. Assumir a identidade dEle, pensar como Ele pensou e falar como Ele falou são os maiores motivos que levam uma pessoa simples, autêntica e humilde a ser xingada, humilhada, menosprezada, desprezada e destruída pelos próprios crentes que se dizem seguidores de Jesus.

Na comunidade cristã, finalmente, funciona assim: se você for verdadeiro e assumir sua plenitude humana no corpo de Cristo — sendo consciente de sua condição de pecador continuamente dependente de Deus —, será odiado e excluído. Entretanto, se for mentiroso e, assim, negar sua condição de humano — ostentando uma sacralidade absolutista totalmente distante do planeta terra —, será aceito, bajulado e terá todas as oportunidades dentro da igreja.

Um exemplo ideal desse tipo de cristianismo evangélico, é como está vivendo, agora, a igreja brasileira. Ficamos cada vez mais chocados com o que está acontecendo. A igreja fica progressivamente distante do Senhorio de Jesus. Fica cada vez mais vazia do caráter dEle. E, assim, assistimos a um perigoso cenário de polêmicas, xingamentos, desvio de conduta e desequilíbrio da fé. E, de quebra, pensamentos evangélicos contrários à natureza criada pelo próprio Criador Deus.

Todavia, o conselho bíblico para a igreja de hoje é: “Vocês são controlados pelo Espírito, se de fato o Espírito de Deus está morando em vocês. E lembrem-se de que, se alguém não tiver o Espírito de Cristo, esse não pertence a Cristo. Mas se Cristo vive dentro de vocês, seus corpos estão mortos por causa do pecado; no entanto, o espírito está vivo por causa da justiça” (Rm 8.9-10, NBV).

A justiça é viver os princípios do Evangelho. A morte no pecado, entretanto, é viver na obsessividade da religião, ainda que esta religião seja evangélica. Para ser mais claro, ser evangélico não significa ter o Espírito de Cristo, ter a característica dEle. Somente os que têm o Espírito de Cristo dentro de si, são parecidos com Ele, têm a identidade dEle, e o caráter dEle.

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Responses

  1. Muito interessante a reportagem, inteligente e voltada aos verdadeiros princípios do evangelho!!!


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