Publicado por: Battista Soarez | fevereiro 14, 2012

CASO ELOÁ

JOGO PSICOLÓGICO DA DEFESA PODE FAVORECER ASSASSINO DE ELOÁ

Erros técnicos, incompetência jurídica e exibicionismo da advogada de Lindemberg marcam o julgamento do caso Eloá.

Por BATTISTA SOAREZ

Ana, a mãe de Aloá, segura foto da filha assassonada

Há muita fumaça obscura no caso Eloá. Muitos questionamentos que ainda não foram feitos e que, pelos sintomas da “coisa”, nem serão feitos. De um lado, há um assassino frio e calculista que teve quase cem horas (cerca de cinco dias) para se arrepender, repensar e desistir do que foi capaz de fazer. De outro, uma polícia despreparada que não teve competência, sequer, para negociar com o criminoso.

E agora, há uma advogada exibicionista, esbanjando charmes e sensualidade — mascarada de bravura jurídica — diante das câmeras de TV, que tenta inocentar o inocentável: a defesa arruma pretextos e se aproveita de pequenas falhas e minúsculos detalhes para “brincar” com a façanha jurídica dos artifícios da lei. Lei? Pois é. Uma lei que tá mais para transformar cidadão de bem em bandido e colocar o bandido em posição de honra. Lei que está longe de uma justiça séria e correta. E nessa ciranda de brincadeira jurídica pode ocorrer uma situação lamentável: o inocentamento do assassino Lindemberg.

A polícia errou. Errou porque não deveria ter invadido o prédio — local do cativeiro — depois de cinco dias que o “louco” Lindemberg mantinha em cárcere privado várias vítimas indefesas, entre as quais a ex-namorada Eloá era a principal.

Depois de tantos dias, o que poderia ter sido feito? Dever-se-ia ter constituído uma equipe multidisciplinar — entre outros um psicólogo especialista em criminologia e alguém especializado em segurança — para negociar com o criminoso, já que a psicologia do fato mostrava que não era intenção de Lindemberg matar. Só matou — depois de cinco dias — porque a polícia o assustou disparando uma bomba para arrombar a porta do prédio, local do cativeiro. Claro. O criminoso já estava exausto. Assustado. Com medo. Por isso matou.

Na verdade, Lindemberg parece ter matado por medo. Viu isso como uma auto-defesa. O cara é um psicopata. Os psicopatas são frios e calculistas. Mas sempre receiam pela própria vida. De certa forma, sentem medo. Um medo diferente, mas sentem medo sim. Medo da polícia. Medo de morrer. No caso de Lindemberg, mil e umas coisas passavam pela sua cabeça. Quando ouviu o estrondo da bomba que arrombou a porta, ficou em estado de choque. Pensou que iria morrer. Por isso, disparou, matando a ex-namorada e ferindo os colegas dela.

Por outra lado, no primeiro depoimento perante os jurados, a jovem Nayara, uma das vítimas, colega de Eloá, titubeou. O depoimento dela não ajudou muito, pelo menos em parte. Quando interrogada pelas autoridades sobre o fato de ela ter visto de onde partiu os disparos, quem atirou, ela respondeu: “Não vi. Não vi porque estava debaixo do edredom”. Era tudo o que a defesa queria ouvir. Porque cria-se um cenário de dúvidas sobre quem matou Eloá: se o tiro que partiu da polícia ou o de Lindemberg, sob impacto de forte emoção, o susto.

E agora? Agora, a defesa espera que o processo seja conduzido para uma esfera de dúvidas. Muitas dúvidas. Porque é em meio às dúvidas que a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, encontrará suporte para defender seu cliente assassino. E Lindemberg será beneficiado. Evidentemente.

Nesse momento, deve-se usar muita psicologia. A defesa já está fazendo isso. Será a sua estratégia. A sua arma principal. Agora, a acusação deverá fazer o mesmo. Usar muita psicologia. A guerra, agora, será psicológica. Os jurados precisam ter sensibilidade para perceber isso e não se deixarem levar pela técnica sagaz da psicologia jurídica. Diante da inquestionável evidência e monstruosidade do crime, Lindemberg é culpado e deve ir para a cadeia sim.

Ana Lúcia Assad causou polêmica durante o primeiro dia (13) de julgamento de seu cliente. Hoje (14) voltou também a causar polêmica. Mandou a juíza Milena Dias estudar. E conseguiu os objetivos psicológicos no caso que era o de chamar, para si, a atenção da imprensa, da polícia, do juiz e dos jurados. E conseguiu. Pois saiu escoltada pela polícia.

Usando um jogo psicológico juridicamente apurado, a advogada de Lindemberg já ameaçou, por duas vezes, abandonar o plenário, caso pedidos seus não fossem atendidos. Um deles, feito ontem, era sobre a convocação da mãe de Eloá como testemunha. O outro, de hoje, era justamente um recuo, pedindo que a mãe não falasse mais em juízo.

Em entrevista aos jornalistas, Ana Cristina disse que se sentia humilhada por ter sido dispensada. A mãe de Eloá continua no plenário acompanhando o depoimento de Everton, que é menor de idade.

O julgamento de Lindemberg, que em outubro de 2008 manteve sua ex-namorada Eloá, de 15 anos, como refém por cerca de cem horas, foi reiniciado na manhã de hoje no Fórum de Santo André, no ABC Paulista. O cárcere terminou com a morte da jovem e com a amiga dela, Nayara Rodrigues, baleada.

Ontem (13), a juíza Milena Dias, que conduz o julgamento, havia aceitado o pedido da defesa e autorizado a inclusão da mãe e do irmão mais novo da jovem como testemunhas. Nos bastidores, afirma-se que o pedido da defesa seria uma estratégia para retirar a mãe de Eloá do plenário, evitando que ela comovesse os jurados.

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