Publicado por: Battista Soarez | julho 22, 2010

REFLEXÃO

O VENTO SOPRA ONDE QUER

A liberdade na vida espiritual inclui simplicidade e calmaria. Isto, na visão holística de Jesus, é uma relação humana livre, obediente, cheia de confiança e força contagiante. É energia sobrenatural aconchegante e dirigida pela vontade daquele que tudo pode na promoção do bem.

Em um diálogo noturno com Nicodemos, chefe entre os fariseus, Jesus expressou sua sabedoria neste tom: O vento sopra onde quer. Ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito (João 3:8).

 

Quem nasce do Espírito é comparado ao vento.

No versículo 5, no mesmo capítulo 3, Jesus já havia dito a Nicodemos que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

Como compreender isto? Vejamos! A água limpa. O espírito purifica. Portanto, o homem ou a mulher que nasceram da água e do Espírito estão limpos e purificados. Limpos do pecado e purificados das implicações do mal espiritual, inclusive da contaminação religiosa, que foi o que Jesus quis dizer literalmente a Nicodemos. Ele [Jesus] queria que o seu visitante [Nicodemos] entendesse que, enquanto líder religioso, estava numa dimensão de vida carnal, limitada numa redoma religiosa em que não havia liberdade. O fato de ele ser líder religioso e professar uma religião monoteísta, não lhe acrescentava nada em termo da soberania do reino de Deus. A vida religiosa está longe do caminho para o Altíssimo. E a religião do farisaísmo era cheia de restrições, tradições e, com base nisso, traçava o destino das pessoas adeptas. A novidade do novo nascimento, ao contrário, colocava a pessoa na dimensão de uma liberdade superior, igualada ao vento.

Nascendo da água e do Espírito, de acordo com Jesus, a pessoa está preparada para seguir uma rotina de vida extremamente significativa. Tão significativa que a própria pessoa que nasceu de novo não tem mais controle do seu crescimento espiritual, o qual vai refletir na vida prática, no di-a-dia das coisas naturais. A pessoa nascida de novo [da água e do Espírito] vai crescer tanto que não terá mais controle do seu destino (não sabe de onde vem, nem para onde vai). Por que? Por causa da liberdade e da dimensão em que ela passará a viver. Liberdade incondicional numa dimensão sobrenatural. Vai viver igual ao vento: soprar onde quiser (flutuar na liberdade sem limites de alcance, com efeitos incontroláveis), ouves a sua voz (proclamará a novidade do novo nascimento, seu testemunho vivo e ativo entre homens, territórios e nações), mas não sabe de onde vem, nem para onde vai (porque, agora, está vivendo numa dimensão superior, sob o controle do Espírito de Deus, fazendo a vontade do Pai).

Agora, ele não está mais sob o controle da religião, como vivia Nicodemos. Em hebraico, a definição de espírito é ruach. Ruach, originalmente, significa fôlego, vento, sopro e respiração. Em Jó 33.4, por exemplo, está escrito: O Espírito (Ruach) de Deus me fez; e o sopro (ruach) do Todo-Poderoso me dá vida. Era exatamente por este sentido que caminhava o raciocínio de Jesus.

— O vento sopra onde quer — disse Jesus a Nicodemos. — Ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai.

Na soma de tudo, o pensamento é este: o vento é livre, sopra onde quer. Em sentido contrário, a religião (onde Nicodemos estava inserido) não é livre e nela não há liberdade. Nela tem ordem, direção, regras e rigidez. É puro legalismo humano (nascido da carne, e é carne). O que é nascido da carne é carne (portanto, reprimido nos seus próprios limites e restrições), o que é nascido do Espírito, é espírito (portanto, é livre, sobrenatural e ilimitado nos seus feitos espirituais).

O vento não faz discriminação de raça, cor, sexo, etc. Sopra para todos, refresca qualquer ambiente, não há restrições quanto às suas atividades. A religiosidade é legalista, estática e limitada, recheada de restrições. É sufocante e pesada. O vento, ao contrário, é suave, variável quanto a intensidade — ora faz brisa, ora faz ventania — e tem efeitos naturais: oxigena ambientes, suaviza o calor, refresca o clima. A religião é uniforme, já o vento é multiforme. O vento não tem aparência. Só tem efeitos. Nele não há padrões, pois é um fenômeno dinâmico. A religião de Nicodemos é cheia de padrões e tradições estáticas, imobilizáveis.

Ao comparar o ser nascido de novo com o vento, Jesus estava dizendo a Nicodemos que a pessoa nascida da água e do Espírito não tem compromisso com tradições, nem padrões religiosos estáticos. Se está bom, pode melhorar! Se está mal, pode ficar bem! Se caiu, pode levantar! Se errou, pode recomeçar tudo de novo! Se pecou, há o antídoto perdão incondicional! Se a vida está mucha e seca, pode ser regada e renascer, nascer de novo! Afinal de contas, ela é como o vento: não sabe de onde vem, nem para onde vai. Apenas ouve-se a sua voz, isto é, a sua fala orientada pelo Senhor do novo nascimento, Aquele que refaz a história e orienta o homem espiritual que decidiu entregar a sua vida a Ele, para que Ele redirecione tudo.

Quem nasceu de novo — da água e do Espírito — vai viver como o vento: puro, simples, cheio de efeitos e passará a obedecer a uma força maior, superior, sobrenatural como o vento. E, assim, se tornará um vento espiritual e passará a espalhar ventos espirituais, sobrenaturais, com efeitos suaves, agradáveis, refrescantes e transformadores, porque os seus efeitos são fenômenos sobrenaturais.

Tem gente que em vez de espalhar vento suave e refrescante [vento do Espírito), solta verdadeiros peidos espirituais fedorentos e, com isso, estraga e contamina o ambiente espiritual onde ela está inserida. E aí, nesse ambiente contaminado, não há louvor sincero, não há vida abundante, não há unidade no corpo de Jesus, não há comunhão, não há respeito, não há compromisso com a verdade, nem mutualidade entre os irmãos. Ela é apenas um “alguém” religioso e onde ela está só existe bazófia religiosa, intriga, confusão, falatório, reparação da vida alheia, ostentação espiritual, orgulho, presunção e o diabo a quatro, a cinco, a seis e por aí vai.

Para terminar esta reflexão, vale dizer que o vento é um fenômeno meteorológico formado pelo movimento do ar na atmosfera. O vento é gerado através de fenômenos naturais como, por exemplo, os movimentos de rotação e translação do Planeta Terra. Algo extremamente superior. Portanto, o homem nascido de novo — da água e do Espírito — torna-se uma força superior porque é movido por uma força espiritual superior, um mover atmosférico sobrenatural: o Ruach de Deus.

Existem vários fatores que podem influenciar na formação do vento, fazendo com que este possa ser mais forte (ventania) ou suave (brisa). Pressão atmosférica, radiação solar, umidade do ar e evaporação influenciam diretamente nas características do vento. Portanto, o vento é dinâmico. Ao comparar o fenômeno do nascer de novo ao vento, Jesus quis dizer, então, que o homem nascido de novo é dinâmico dentro de uma realidade atmosférica espiritual inexplicável.

Em regiões mais altas, como no alto de montanhas, por exemplo, o vento costuma ser mais forte, pois não há interferências das construções. Como passou a viver uma vida superior, a pessoa nascida de novo, comparada, por Jesus, ao vento, tem força maior, pois não tem interferência das construções religiosas, barreiras de velharias doutrinárias que se colocam como limitadoras das competências humanas (como era a religião da qual Nicodemos fazia parte).

O vento é muito importante para o ser humano, pois facilita a dispersão dos poluentes e também pode gerar energia (energia eólica). Ao comparar a pessoa nascida de novo com o vento, Jesus está dizendo que ela se torna importante na dispersão dos poluentes espirituais e que, além disso, se torna geradora e/ou portadora de energia. E energia é poder. Portanto, quem nasceu de novo é portador de poder, poder do Espírito. Ele se torna, finalmente, portador de efeitos espirituais, fenômenos que colocam o beneficiado numa dimensão atmosférica sobrenatural em que ele não mais sabe de onde vem, nem para onde vai.

Por isso, “Nicodemos” de hoje, o importante é nascer de novo. Deixar a realidade nicodêmica para trás, e entrar na atmosfera sobrenatural do nascer de novo é a decisão mais sábia que o ser humano pode tomar, para o bem de toda a sua vida.

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Responses

  1. Mano Battista, nao tive tempo de ler todas as reflexoes, mas quero seu contato do Facebook, pois amo seu trabalho: essa voz que nao deixa calar o outro lado do mundo protestante. Abraços, Jack. Abraço em Geraldo.

  2. é realmente lindo e maravilhoso a reflexição que cristo fés a respeito do novo nascimento,só o filho do deus vivente tem essa sabedoria.


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