Publicado por: Battista Soarez | julho 3, 2010

VIDA A DOIS NA LEI DA FÍSICA

ATÉ QUE AS BRIGAS {COM O TEMPO} OS SEPAREM (3)

Casais que se separam e continuam se perseguindo estão com a síndrome de sentimento machucado e do amor ferido. Como não admitem a perda, resolvem se perseguirem eternamente. E isso, muitas vezes, acaba em tragédia.


– Eu sou um homem jovem, pastor – disse aquele homem, fixando olhar sinceramente. – E não tem coisa pior no mundo do que manter relação sexual com uma pessoa ferida e que também feriu a gente. Se eu estou ferido e ela está ferida, não tem como haver sexo.

Casais feridos não se entendem mais... nem na cama.

Eu entendi aquele homem. Sexo é a conseqüência de uma relação concorde e harmoniosa. Duas pessoas (marido e mulher) feridas, machucadas e que não conseguem mais se entender estão separadas de fato. Só estão convivendo juntas, pelo doloroso capricho da suportabilidade ou no “clima” da insuportabilidade. Os dois convivem juntos, mas não conseguem ter uma vida homem/mulher normal: carícias, namoro, sexo, etc.

O orgulho ferido – principalmente na mulher – leva à problemática da perseguição. Os dois se odeiam, mas se amam ao mesmo tempo. Por isso se perseguem.

Aquela senhora que veio falar contra o marido para mim demonstrava claramente uma determinada insatisfação em relação à perda. Na verdade, ela não admitia perder. E ninguém admite perder. É um sentimento de frustração destruidor. Dói muito. Mas há um sentimento [maligno] na relação que inculta na cabeça de um dos dois: já que não consigo te ter para mim, eu vou te perseguir o resto da vida. Ora, a pessoa que realmente deixou de amar quer até esquecer que o outro existe. Mas a insatisfeita não, seu amor se transforma em atos de perseguição.

Isso explica a razão pela qual muitas mulheres perseguem eternamente o ex-marido na justiça. Na verdade, ela alimenta um amor ferido e sofre muito com isso. Uma mulher, por exemplo, que perde um homem de sucesso – trabalhador, honesto, bem relacionado – e que poderia proporcionar status a ela jamais se sentirá satisfeita com a perda. E aí começa a persegui-lo definitivamente. Em muitos casos, o problema fica tão grave que acaba resultando em tragédia: o homem mata a ex-mulher ou a mulher manda matar o ex-marido.

Tenho visto acontecer muito isto Brasil a fora. Até mesmo entre evangélicos têm ocorrido situações assim, como foi o caso de um casal amigo meu da igreja batista. Brigas e ciúmes tomaram conta do lar. Urge uma avalanche de sentimentos feridos. Ela pediu ajuda para a igreja e para o pastor. Todos a aconselharam a lutar pelo casamento. Ela tentou durante anos. Um dia, ela sugeriu que ficassem um tempo separados para um possível ajuste na relação. Ele não admitiu e a assassinou com nove facadas.

Na minha prática de aconselhamento pastoral, eu evito forçar a barra. Normalmente, procedo da seguinte maneira:

1. Procuro conhecer profundamente o problema, evitando qualquer influência ou tendência a algum juízo de valor que venha favorecer apenas um lado.

2. Nunca aconselho uma só parte. Procuro trabalhar com os dois, marido e mulher. Isso permite exercer um determinado controle sobre os dois, proporcionando à condução do problema imparcialidade e, assim, construindo uma compreensão de paz na racionalidade dele e dela ao mesmo tempo. Tem dado certo em quase todos os casos que tenho acompanhado.

3. Evito radicalizar as interpretações bíblicas no que concerne ao divórcio. Prefiro analisar caso a caso e dar a cada um orientação correta com base na tendência natural do problema. Se eu vejo que a mulher ou o homem correm risco de morte, eu converso com Deus sobre aquele problema, bloqueio as ações do maligno com autoridade no nome de Jesus e pergunto ao Senhor como devo proceder. E o Senhor me responde em sonho ou falando comigo na experiência do pensamento espiritual. Já houve caso em que Deus me orientou a aconselhar o casal a entrar num acordo pacífico de separação. E já houve casos, também, que Ele me disse não ser caso de separação, mas de ajuste relacional, diálogo e oração profunda com Deus. Sempre deu certo na orientação do Senhor.

Mas esta é a minha experiência particular em lidar com casais. Eu creio convictamente na minha relação com Deus. Tanto que entre os meus aconselhandos nunca houve tragédia. Creio que cada pastor tem um modo de agir. Mas, independente de como seja, é sempre aconselhável que se busque conhecer a vontade de Deus para cada caso.

Quero finalizar este assunto com a opinião do cientista José-Manuel Rey, que mencionei no início da matéria. Ele disse:

“Em algum momento me pareceu natural a idéia de que os casais que se lançam em uma vida comum estão conscientes de que terão de se esforçar. Na verdade, eles encaram um problema que se assemelham muito à engenharia, à mecânica, sobre tudo à teoria do controle: decidir como aprimorar (com esforço) o combustível (o amor), que faz avançar a nave (ou um relacionamento) com um objetivo final: um foguete que voa com mais eficiência (ou um casamento que dure “para sempre”). Que melhor objetivo pode existir que o de ser o mais feliz possível por toda a vida?”.

No fim, minha opinião é: obedecer a Deus em tudo é uma atitude que nos conduz pela trilha da verdade e da paz. Leia o texto seguinte, extraído das Escrituras e reflita:

Ora, aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: “Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram!” Ele, porém, respondeu: “Antes bem- aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” (Lucas 11:27-28).

Parte FINAL

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