Publicado por: Battista Soarez | maio 30, 2010

SEXUALIDADE E HPV

O CUSTO AMARGO DO PRAZER

Quem caminha pelas ruas de grandes e pequenas cidades do Brasil nem percebe. Ele é sutil, quase assintomático e de difícil diagnóstico. De cara, é impossível saber quem de fato é portador de algum tipo do vírus HPV (papilomavírus humano), responsável por mais de 99% dos casos de câncer do colo do útero. Nas mulheres brasileiras, é o segundo tipo de tumor mais freqüente, perdendo apenas para o câncer de mama.

Por enquanto, a vacina é aplicada em mulheres, mas o MS já estuda a possibilidade de ser administrada também em homens.

Para se livrar da doença (e de outras como, por exemplo, o vírus da AIDS), segundo recomendação dos profissionais da Saúde de modo geral, homens e mulheres devem usar, sempre, a camisinha. O problema é que, antes de “vestir” o tal preservativo, os parceiros (na sua maioria jovens) viajam noutras modalidades de prazer em que não têm o mesmo cuidado. Antes da penetração vaginal – quando só então normalmente colocam a camisinha – tanto elas quanto eles se divertem fazendo sexo oral.

Conversei com vários grupos de jovens e adolescentes, e detectei que as meninas são as que mais fazem sexo oral e anal. E aqui é que mora o problema: o HPV é adquirido durante as relações sexuais oral, vaginal e anal. Mesmo que se use o preservativo nas relações vaginal e anal, a transmissão ocorre também na relação oral. Algumas garotas com quem falei disseram que gostam que seus parceiros ejaculem nas suas bocas. E que ainda engolem o esperma. O que é pior.

Na mulher, segundo especialistas, o HPV causa câncer de útero. No homem, ele pode provocar câncer de pênis. E em ambos os sexos ele pode causar um tipo raro de câncer de garganta e, ainda, verrugas genitais de difícil tratamento. E nas meninas que adoram se divertir engolindo espermas, sabe lá o que o vírus pode causar nos seus aparelhos digestivos. Num bate-papo – cuidado, tradutor!, na Argentina, “bate-papo” significa fazer sexo; aqui no Brasil, é conversa entre amigos – uma garota de 17 anos me disse:

– Ah, Battista! Fazer sexo sem oral é ser careta. E oral com camisinha não tem gosto nenhum. Atualiza-te!

– Bem – disse eu. – O problema é que essa tal atualização de prazer sem limite que chegou à sua cabeça ainda não atualizou a indústria farmacológica para combater o câncer a que você estar se expondo. O único que poderá estar atualizadíssimo é o preço da funerária.

Mas, aqui, corrijo a informação que dei na brincadeira com a garota Anny. Desde 2007, a moçada do prazer sem preservativo já pode comemorar (mas lembre-se: a AIDS não tem cura). Pelo menos em parte. Trata-se da vacina que previne a contaminação com o vírus HPV. A princípio só as mulheres poderiam ser beneficiadas. Mas, agora, já se estuda a possibilidade de os homens também poderem tomar o antídoto.

A vacina contra o HPV ainda está disponível somente nas clínicas privadas.

No site oficial do governo, o Ministério da Saúde discute uma eventual recomendação para a inclusão da vacina no programa nacional de vacinação. Mas há, ainda, muita dúvida quanto ao uso da vacina por homens e mulheres.

“Ainda há controvérsia em torno da melhor relação custo-benefício na vacinação apenas de mulheres e na vacinação com mulheres e homens. Penso que, se ampliássemos a vacinação, iríamos acelerar a diminuição da doença. Não há motivos para atrasar um processo que trará benefícios para a humanidade”, defende Luisa Lina Villa, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV.

Formado por um grupo de mais de cem tipos, o HPV é sexualmente transmissível. Mas, na maioria das vezes, a infecção é transitória e desaparece sem deixar vestígios. Todavia, sua capacidade cancerígena preocupa especialistas. Luisa Lina acredita que se eliminarmos a maior parte dos tipos de alto risco, vamos caminhar para a diminuição ou mesmo erradicação das doenças ligadas ao vírus.

Em 2006, uma vacina quadrivalente recombinante contra o papilomavírus humano – que estimula a produção de anticorpos específicos para os tipos 6, 11, 16, 18, sendo os dois primeiros de baixo risco – foi a primeira a ser liberada.

Dois anos depois, entrou em cena a vacina bivalente, que protege contra os tipos mais agressivos do vírus. Em mais de 40 países, optou-se por fazer uso do imunizante em programas de vacinação. Em outros, incluindo o Brasil, esse tipo de programa ainda não foi adotado, o que deverá ocorrer, talvez, até 2015.

Em abril deste ano, a médica Ana Ramalho, chefe da Divisão de Ações de Detecção Precoce do Instituto Nacional do Câncer (Inca), polemizou o assunto. Ela disse que a vacina contra o HPV oncogênico – o tipo que pode levar ao câncer de colo do útero – não substitui  o rastreamento. “Porque ela só controla  dois tipos de vírus e existem outros”, alertou. E lembrou que já foram identificados mais de cem tipos de HPV, sendo que 15 são considerados causadores de câncer. São os chamados de HPV oncogênicos. Isto quer dizer que as mulheres devem continuar realizando os exames preventivos normalmente.

Para controlar a doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza exames de prevenção, como o papanicolau, que pode detectar precocemente lesões que antecedem o tumor, além de cânceres em estágio inicial. Ana Ramalho explicou que 70% da população feminina brasileira já tiveram em algum momento essa infecção. Para ela, deve-se considerar o elevado custo das doses da vacina, que está disponível para os consumidores somente nas clínicas privadas. Atualmente, o novo preço da vacina, no Brasil, é de R$ 114,67. Antes era comercializada pelo valor de R$ 229,33. Em 2007, quando foi lançada, chegou a custar mais de mil reais.

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